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26/09/2018 ás 09h44 - atualizada em 26/09/2018 ás 09h55

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Filipe Guedes

Brasília / DF

Romantizar Lolita é um erro
Por conta do conteúdo polêmico, a obra de Vladimir Nabokov já foi proibida em alguns países em suas primeiras tentativas de publicação
Romantizar Lolita é um erro
Imagem da Internet

"Lolita, luz da minha vida, fogo da minha carne. Minha alma, meu pecado. Lo-li-ta, a ponta da língua toca em três pontos consecutivos do palato para encostar ao três, nos dentes. Lo-li-ta."


Não há romance como Lolita. Publicado em 1955 por Vladimir Nabokov, é uma das obras literárias mais marcantes e polêmicas do século XX. Há pessoas que romantizam a história, mesmo cientes que se trata sobre pedofilia, porém, não é uma história pornográfica. É necessário cuidado antes de ler.


Lolita é de longe uma história de amor, mas um romance trágico. Humbert Humbert, um professor romântico de 37 anos de idade aceita a oferta de se mudar para Ramsdale, uma cidadezinha fictícia da Nova Inglaterra com Charlotte Haze, uma viúva, mãe de uma garota de 12, Dolores, por quem o homem logo se "apaixona".


Aos 13 anos, Humbert Humbert viveu um romance precoce com Annabel Leigh. Depois de algum tempo, a garota morreu de tifo. Segundo o personagem. a perda abriu as portas do seu interesse doentio do por meninas entre 9 e 14 anos, chamadas por ele de 'ninfetas'. O termo descreve a moça com beleza jovem e sensualidade de uma mulher. A palavra já existia, mas ganhou notoriedade com o grande reconhecimento que a obra alcançou.

Lolita, chamada assim por Humbert, possui a aparência semelhante de sua falecida amada. O próprio narrador admite o fato de ter algum tipo de transtorno, pois Dolores não foi a primeira. A história se desenvolve, os dias vão passando, não há como negar que o personagem descreve seus sentimentos por Dolores Haze de formas bonitas.

Por conta da obra a expressão 'Lolita' se tornou usada para descrever casos semelhantes na realidade. Humbert Humbert diz ter sido correspondido por Dolores e, que ele também não foi o primeiro "homem" dela. O leitor tem apenas as palavras do narrador e de ninguém mais ao decorrer da história.

Ao longo da leitura é possível perceber que Humbert Humbert não é um narrador confiável. Em alguns momentos o personagem consegue manipular as emoções das pessoas. Não há como negar que o livro é escrito com uma paixão impecável. A intenção de Nabokov é sem dúvidas causar a sensação de desconforto no leitor, e também deixa claro em alguns que o narrador é um homem horrível. As melhores leituras causam sentimentos, sejam bons ou ruins.

A obra de Nabokov é usada por psicólogos para psicanálises de casos do tipo. Claro, a leitura deste livro não é para fazer o leitor concordar e aceitar os fatos contados na história, mas como uma maneira de enxergar e questionar acontecimentos polêmicos com cautela.

Lolita é aquele livro que o leitor pensa "Isso é lindo... Não! Calma! É errado!" ou "Isso está me causando uma dor de estômago", mas a leitura continua. As palavras também podem manipular, pois as frases impecáveis do livro conseguem por segundos o leitor esquecer que está diante de um problema. A mesmas também obrigam a refletir. 

Lolita possui duas adaptações (1962 e 1997), porém romantizadas. A obra literária havia sido banido em alguns países. Por vezes, as pessoas fecham os olhos para coisas do tipo dentro da realidade. Leitores ou qualquer indivíduo que tenha conhecimento da obra não deve romantizar Lolita, mas todos concordam que é uma importante leitura.

FONTE: Azartes

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Blog/coluna Um viajante literário. Um leitor incurável.
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