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Livro/Quadrinhos Resenha

No mês das crianças, leia Coraline

Outubro tem o dia das crianças, mas também é o mês do horror. Em Coraline, Neil Gaiman mistura as duas coisas de forma genial

12/10/2020 19h23 Atualizada há 2 semanas
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Por: Filipe Guedes
Coraline
Coraline
Não há como dizer que todo adulto deveria ler Coraline para sua criança. Apesar de ser uma história sobre coragem e sabedoria, é também um tanto assustadora para garotinhos. Pode ser como um daqueles contos de infância escritos para uma pessoa grande. Mas se eu tivesse lido quando tinha oito anos, ou se minha irmã mais velha tivesse contado para mim, eu teria adorado.
 
As pessoas são bem mais complexas quando crianças, pois nessa época da vida os medos são mais específicos. É fácil observar isso ao ler Coraline, uma dessas histórias para apavorar pequenos, mas de um jeito empolgante. Agora é meio impossível olhar para uma boneca de pano com olhos de botão de camisa como uma criatura fofa. Ao escrever este romance de terror infantil, Neil Gaiman a transformou em um brinquedo meio assustador.
 
Talvez o medo escolha crianças para assustar por elas serem mais destemidas, como algo mais desafiador. Por isso ele pode ter escolhido Coraline Jones, uma menina que consegue entrar no tédio com muita facilidade, principalmente quando se é a única criança de um espírito aventureiro em um casarão dividido em apartamentos, onde vive com os pais, rodeada de vizinhos adultos.
 
Os pais de Coraline estão sempre ocupados e há pouca variedade de divertimento no complexo de apartamentos. E a melhor divertimento para uma criança exploradora é descobrir outros lugares, mesmo que isso signifique encontrar locais desagradáveis.
 
Ao andar pelos corredores, explorando pelos cômodos do complexo em um dia chuvoso, Coraline encontra uma porta trancada na sala de visitas, que provavelmente leva ao apartamento vizinho, mas quando a mãe usa as chaves para abri-la com a ideia de matar a curiosidade da menina, ela vê que ali não há nada além de um muro de tijolos.
 
Quando seus pais saem de casa para resolverem assuntos pela cidade, Coraline decide verificar a porta novamente e descobre que agora não existe mais um muro de tijolos, mas um outro lado.
 
Este outro lado é como um universo paralelo, mas não muito distinto do mundo onde vive Coraline. É como se ela não tivesse saído da pensão onde mora, mas quando encontra seus pais, a garota nota que eles não estão muito diferentes, mas fica assustada ao perceber que os olhos deles são feitos de botões negros, de aparência aterrorizante. Eles querem que a garota fique ali para sempre.
 
Coraline aos poucos descobre que ela e seus pais do mundo real correm grande perigo, mas para conseguir voltar para sua vida normal, a menina precisa fazer do seu dom de exploração uma estratégia e reconhecer sua própria coragem.
 
Neil Gaiman começou a escrever Coraline em 1987, para contar a história para Holly, sua filha de apenas cinco anos. Ela adorava contos assustadores com bruxas e meninas corajosas, mas na época era complicado encontrar livros de terror infantil. O autor só continuou com a escrita em 1992, quando percebeu que a filha mais nova, Maddy, já estava crescendo e ficaria grande demais quando ele terminasse.
 
O livro foi publicado em 2002 e venceu diversos prêmios literários. Alguns anos mais tarde, Neil Gaiman encontrou algumas mulheres, elas disseram que Coraline as ajudou a passar por momentos difíceis. E que, quando estavam com medo lembravam da coragem da criança.
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Sobre Filipe Guedes
Um viajante literário. Um leitor incurável.
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