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Dica dos Editores Visibilidade Trans

"Alice Júnior": Um filme sobre representatividade trans

Filme premiado é indicação para assistir no Dia Nacional da Visibilidade de Transexuais

29/01/2021 11h11 Atualizada há 1 mês
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Por: Ludmilla Gonçalves

 

Hoje (29.01) é o Dia Nacional da Visibilidade Trans. A data foi instituída em 2004, na então campanha: “Travesti e respeito: já está na hora dos dois serem vistos juntos. Em casa. Na boate. Na escola. No trabalho. Na vida”. Homens e mulheres transexuais são pessoas que lutam para existir e resistir em uma sociedade que tenta insistentemente silenciá-los.   

 

O filme Alice Júnior, dirigido por Gil Baroni, devolve a voz para a comunidade transgênero. Apesar de sua estreia ter sido em 2019, o filme chegou na Netflix recentemente, no final do ano passado. E no dia de hoje, em especial, é uma obra cinematográfica para assistir e refletir. De uma forma divertida e nada previsível, o filme apresenta as questões e realidades trans. Um alento para a comunidade, depois de incontáveis frustrações geradas pelas produções clichês e enfadonhas.

 

Alice Júnior é uma garota trans, interpretada pela atriz também transexual, Anne Celestino. Alice produz vídeos para o YouTube, e teve que se mudar de Recife com seu pai para uma pequena cidade do interior, Araucárias do Sul. Na nova escola sofre violência pela instituição, que tampa os olhos para a transfobia que circula nos corredores, e pelos outros alunos. Além de ter que se adaptar à vida em uma nova cidade, e lidar com o conservadorismo e preconceitos, Alice Júnior ainda tem os seus dilemas de adolescente, tudo que ela quer é dar seu primeiro beijo.

 

Imagem: divulgação

 

A produção foi a segunda mais premiada do 52° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que ocorreu em 2019, com quatro Troféus Candangos: melhor atriz (Anne Celestino); atriz coadjuvante (Thais Schier); trilha sonora (Vinícius Nisi) e montagem (Pedro Giongo). Em entrevista ao Jornal de Brasília, Gil Baroni conta que a narrativa é de uma adolescente que já superou as questões de aceitação dentro de casa e o processo de transição, o filme supera isso e ocupa outro espaço. Gil destaca a importância do amor e da tolerância, que precisam ser colocados em prática.

 

“Quando a gente tem uma personagem trans como Alice Júnior que quer viver sua liberdade, a gente não pode deslegitimar isso. Temos que valorizar e apoiar. Essa é a reflexão principal que fica, especialmente nesse momento de proliferação de discursos de ódio e intolerância em que vivemos” Gil Baroni

 

Mas o que afinal são pessoas trans? Pessoas comuns, que apenas não se identificam com seus sexos biológicos, e lutam pelo direito de serem quem são. Dos assassinatos de transexuais do mundo, 40% são do Brasil, de acordo com a Unesp 2015. A expectativa de vida de pessoas trans cai pela metade em comparação com pessoas cis. A evasão escolar e o desemprego também são maiores entre eles. É urgente que a sociedade mude de atitude.

 

Alice Júnior é representatividade e visibilidade, uma narrativa que nos convida a ter empatia e respeito, um filme indispensável hoje e sempre. As histórias precisam ser contadas e as vozes dessas pessoas ouvidas. Para que assim, um mundo mais justo, democrático e digno seja construído. Porque diversificado ele já é, a sociedade só precisa entender e respeitar isso.

 

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Ludmilla Gonçalves
Sobre Ludmilla Gonçalves
Jornalista, libriana, bruxa e feminista.
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