Segunda, 08 de Março de 2021
(61) 9 8132-2082
Artistas Dança

Do Brasil para o mundo: jovem de Ceilândia participa de competições mundiais através da dança

Entrevista com Evelyn Apolinária

10/02/2021 21h47 Atualizada há 3 semanas
207
Por: Yasmin Rajab
Foto por: Evelyn Apolinária
Foto por: Evelyn Apolinária

Apesar de ter apenas 21 anos de idade, Evelyn Maria Apolinária Santos Arruda já possui uma enorme bagagem carregada de experiências incríveis nas quais passou no mundo da dança. 

A carreira da jovem se iniciou através da ginástica, mas após 10 anos praticando o esporte decidiu que seria hora de se dedicar mais aos estudos, já que possuía o objetivo de passar em um vestibular para a Universidade de Brasília (UnB).

Além disso, a longa distância entre sua casa e o ginásio e os custos elevados com aulas e materiais foram outros motivos que a levaram a deixar a ginástica. 

Após entrar na universidade, a jovem decidiu fazer algo para compensar sua saída do esporte, então escolheu entrar no ramo da dança. Atualmente, a dançarina faz parte do grupo Brasília Extreme, que conta com mais de 120 atletas. O estilo de dança que optou foi o cheerleading, que é caracterizado pelo uso dos pompons e a semelhança com as líderes de torcida. 

Três anos após entrar para a divisão, Evelyn já passou por diversas experiências. Anualmente, ela participa de várias competições, incluindo locais, nacionais, e até mesmo mundiais. 

Em 2017, ela participou do campeonato nacional de cheerleading, organizado pela OBC, onde ganhou em primeiro lugar e recebeu uma carta para competir no mundial, nos Estados Unidos, em abril de 2018. 

Ainda em 2018, a jovem competiu o pan-americano, que ocorreu em Lima, no Peru, onde ficou em 3º lugar. O evento contou com cerca de 7 a 8 duplas competindo, vindos de vários países, incluindo Cuba, Venezuela, Equador e Argentina. 

Além dos eventos internacionais, ela também já participou de competições no Brasil, a maioria na região sudeste, em São Paulo.

Confira a entrevista completa com Evelyn: 

Por que decidiu sair da ginástica?

Então, é uma questão de dupla carreira né, tinha que conciliar o esporte com estudos, e eu queria priorizar os estudos, tem gente que prioriza a carreira e acaba aposentando até cedo porque o esporte tem dessas, a gente não fica muito tempo, mas de qualquer forma eu resolvi priorizar, eu queria entrar na UnB, eu queria fazer o que eu faço hoje,  então resolvi parar para estudar, e tem os custos também, é um esporte muito muito caro, não que dançar não seja caro mas enfim, é um negócio muito elitizado, é muito difícil, quanto mais você se especializa e enfim, quanto mais você tem um nível técnico elevado mais você precisa estar investindo e gastando dinheiro, então realmente é muito caro. 

Enfim, eu resolvi sair e queria achar alguma coisa para fazer, aí eu conheci o cheer, e eu faço parte do grupo Brasília Extreme, é um grupo enorme, tem acho que 120 atletas, acho que são na dança umas 15 pessoas, então são 15 dançarinos e o resto é tudo atleta da divisão, da outra divisão do atlético, é um grupo muito grande. 

Onde vocês fazem os treinamentos?

A gente chama de ginásio, seria tipo um clube mesmo, só que a gente treina na UnB, a gente usa os espaços de lá, a maioria da galera é atleta da UnB então a gente reserva os horários e tudo, então tudo certo. A gente tava querendo ver se consegue um ginásio pra gente, pra chamar de nosso, estamos procurando. 

Quantos países você já conheceu?

Não fui para muitos não, mas todos foram por causa da dança. Fui pro Japão, depois pros Estados Unidos e o Peru, foram os três países que eu conheci. Aí na ginástica eu viajei mais pra região sudeste, onde aconteciam as competições, mas não foram tantas, eu acho que quase não viajei pra falar a verdade. Mas na ginástica eu competia mais aqui nos regionais, agora no chear eu fui pra São Paulo duas vezes para competir, que foi em 2017 e 2019. Em 2018 eu não estava participando de clube, eu entrei em 2017 mas acabei saindo porque queria fazer outras coisas da minha vida, e acabei voltando em 2019. 

Vocês quem desembolsam as passagens?

Sim, a gente quem desembolsa. É caro né, como eu te falei, a gente não tem patrocínio, aquela coisa toda, então a gente tem que arcar com os custos né, infelizmente. O que a gente consegue do governo geralmente é o Compete Brasília, que eles liberam a verba para passagem ou então fretam o ônibus, mas eu sei que pra competir internacional eu tentei a passagem pro Japão, eu tentei o Compete e eles não me liberaram. 

É porque o processo deles é muito demorado então eles te dão uma resposta faltando 15 dias pra viajar, e eu nem estava contando com isso, e o pior é que eles nem te dão dinheiro, eles te dão a passagem, e eu já tinha comprado a minha passagem então poderia ficar no prejuízo se fosse aceita, mas não quis arriscar ao mesmo tempo porque se pra ir pro Japão já é muito caro em tempos de planejamento, normalidade, imagina deixar pra comprar uma passagem 15 dias antes da viagem, deve dar um horror de dinheiro. 

O que poderia ser melhorado?

Acho que de urgência mesmo, é pensar realmente em um espaço com uma estrutura adequada, a segunda acho que seria no caso o Bolsa Atleta do pessoal do atlético, acho que deveriam ampliar essa questão para não ficar restrito só ao esporte olímpico.

Fazer disso uma profissão é uma coisa complicada em qualquer lugar do mundo, não existe nenhum lugar que você vá ganhar dinheiro com isso a não ser que você seja um bailarino fora do normal e você vai ensinar outras pessoas ou então em um espetáculo mesmo. Um detalhe importante, lá no Japão o pessoal da federação internacional que patrocinou a gente, é engraçado né, a federação do japão quem veio patrocinar a gente, não foi ninguém aqui do país, não deram nem uma forcinha. 

A gente tem um grupo de pesquisa que se chama dupla carreira esportiva, lá na Faculdade de Educação Física da UnB, e uma das coisas que a gente discute é justamente isso da conciliação entre o esporte e o estudo… uma das coisas que realmente falta nessa questão da legislação é pensar em políticas públicas pra conciliação da carreira, que é por exemplo, você conseguir um abono, abonar sua falta, a gente negocia tudo no boca a boca com o professor quando precisa sair, e tem professor que não é tão legal assim. 

Em quais aspectos o contato com a dança influenciou na sua vida?

O que eu vivi na ginástica ou no cheer eu não teria vivido em outro lugar, essa oportunidade de conhecer pessoas, de viajar, até a língua a gente trabalha… o atleta ou o dançarino, a pessoa que tem esse contato com a cultura e com tudo isso ela querendo ou não se torna uma pessoa mais disciplinada e mais responsável, porque desde cedo ela tem uma cobrança adequada a idade dela, eu lembro que as minhas preocupações na época da ginástica era “nossa, eu não posso chegar atrasada no treino”, “nossa, eu tenho que fazer dever de casa”, eram umas preocupações assim que eu olho e falo gente que incrível né a vida era muito linda. 

Mas eram coisas que me fizeram me tornar uma pessoa comprometida com as minhas coisas, de querer buscar crescer na vida e enfim, isso me trouxe oportunidades também de trabalho em outras coisas, hoje eu estou em um projeto social ensinando ginástica, para meninas daqui da periferia de Ceilândia, e eu tento levar essas coisas que eu pude viver na época que eu era ginasta. 

Currículo do artista: 

Nome: Evelyn Maria Apolinária Santos Arruda

Idade: 21 anos

Quem sou eu: Estudante e dançarina

Como prefere ser chamado: Evelyn

Redes Sociais: @evyapolinaria

Onde mora: Ceilândia - Distrito Federal

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Yasmin Rajab
Sobre Yasmin Rajab
Jornalista, brasiliense, apaixonada pelo universo cinematográfico e musical. Procurando sempre aprender mais e mais. Metade de mim é amor, e a outra metade também.
Mais lidas
Anúncio
Ele1 - Criar site de notícias