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Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa

O autor narra a arrebatadora paixão de Ricardo e Lily, em uma história de encontros e desencontros ao longo de décadas.

23/02/2021 15h34
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Por: Filipe Guedes Fonte: AzArtes
Reprodução: Imagem da internet
Reprodução: Imagem da internet

Uma das coisas que me prenderam tanto em travessuras da menina má são os aspectos históricos e culturais da segunda metade do século XX. Me amarro nesses romances onde o amor e a política se misturam.

Você pode não ter vivido os movimentos revolucionários de Paris nos anos 60, nem na Londres dos hippies da década de 70, ou conhecido as máfias do Japão, mas ao ler travessuras da menina má, você tem a sensação de ter vivenciado de verdade todos esses períodos marcantes.

A história é contada por Ricardo. No começo, é só um adolescente peruano dos anos 50, que descobre seus primeiros sentimentos amorosos e sexuais por Lily, uma "chilena" que se mudou para Lima. Ela é diferente das garotas peruanas. É atirada, insana e arretada. Mas depois de brincar com os sentimentos do bom menino, a garota vai embora, deixando sua marca no garoto.

Então, este romance mostra dois lados extremos do amor. De um lado tem o Ricardo, que é o narrador da história, um cara romântico e monótono, que sonha em viver em Paris. Do outro tem a menina má, fria e ambiciosa. Não é um romance adolescente como pensei que seria antes de começar a leitura. Na verdade, possui uma carga erótica meio pesada, mas ainda assim empolgante.

Na década de 60, quando Ricardo já está vivendo em Paris como um intérprete, ele encontra a menina má novamente, mas agora ela possui uma nova identidade e personalidade, despertando nele os sentimentos que ainda existiam, mas que estavam adormecidos.

A história gira em torno disso, Ricardo e a menina má vivem de encontros e desencontros durante esses eventos históricos. O livro possui traz a pegada das transformações sociais europeias e da América latina.

A menina má é uma personagem um tanto desprezível, que você não sabe se ama ou se odeia, mas talvez ame odiá-la. Ela não demonstra sentimento ou reciprocidade, está agindo de acordo com seus próprios interesses. O leitor sabe que os dois não possuem uma relação saudável, mas na literatura é tão empolgante como tudo acontece, pois quando ela surge, consegue tirar o Ricardo de sua monotonia.

Para escrever o livro, Mario Vargas Llosa usou várias de suas experiências de quando viveu no Peru (seu país natal) e na Europa, onde trabalhou como intérprete e tradutor.

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Filipe Guedes
Sobre Filipe Guedes
Um viajante literário. Um leitor incurável.
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