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Artistas Literatura

Jovem escritor fala da importância da literatura no cotidiano social

Entrevista com Douglas Henrique

20/04/2021 10h00 Atualizada há 3 semanas
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Por: Yasmin Rajab
Foto por: Douglas Henrique
Foto por: Douglas Henrique

Douglas Henrique Pereira Sousa, de 23 anos, é estudante e escritor. Nascido em Ceilândia (Brasília – DF), o jovem já possui dois livros publicados e outros em andamento. 

O jovem começou a escrever em 2015, já no final do Ensino Médio. A vontade e o prazer pela escrita surgiram quando se deu conta da possibilidade de criar personagens e várias situações em um único livro. Outra motivação foi a ideia de enxergar a escrita como uma chance de melhorar a vida financeira de sua família. 

Apesar da paixão que possui pela literatura, Douglas conta que nunca foi incentivado, e que no início várias coisas que escrevia eram jogadas fora. Além disso, ele comenta que não existem muitos projetos que apoiem os escritores iniciantes, o que compactua com a elitização na formação de escritores no Brasil. 

O seu primeiro livro, intitulado “O Diário do Fim do Mundo e Outros Contos”, é dividido em três partes, onde ele aborda sobre uma ficção apocalíptica sob a ótica de um jovem brasileiro, uma sátira baseada na Idade das Trevas e a jornada de um personagem que reflete sobre a vida diante do niilismo existencial. 

Já em sua segunda obra, intitulada ‘’Como Vive o Homem Invisível?’’, ele relata sobre o dia a dia de um morador de rua, trazendo suas reflexões acerca da sociedade, sua luta pela sobrevivência e o reconhecimento como ser humano. 

Confira a entrevista completa: 

- O que te motivou a gostar de literatura? 

Sem sombra de dúvidas foi a trilogia Jogos Vorazes! Antes disso, a literatura no geral era vista como algo chato e entediante. Depois de conhecer Jogos Vorazes e aquela atmosfera revolucionária vi que o mundo da literatura é algo incrível e inspirador.

‘’Um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma.’’ - George R. R. Martin

- Qual a importância da escrita para a sua vida? 

A escrita voa acompanhada da leitura. Ambas fazem a função de válvula de escape na minha vida, além disso, me dão a oportunidade de aprender mais e mais, fazendo assim com que se abram mais portas na minha vida.

- O que quer passar com suas obras?

Tento sempre expor meu ponto de vista sobre a sociedade, seja no aspecto social, político, religioso, etc. Eu acredito de verdade que a arte deve ser usada como instrumento de crítica e protesto e tento expor isso na minha arte.

- Em quais pontos a literatura mudou em sua vida?

Em muitos! Enxergo em mim, modéstia à parte, um considerável crescimento intelectual e pessoal desde que me joguei no mundo da escrita e da leitura. Algumas pessoas me parabenizam por escrever, algumas dizem que tenho muita disposição para escrever, pois segundo eles, ler e escrever são coisas chatas. Quando vou no bairro que cresci, Expansão do Setor O, hoje em dia quase a todo momento alguém me para na rua para me perguntar os meus planos pro próximo livro, me parabenizam, me chamam de escritor, nesse ponto também vejo muita diferença!

- Você disse que nunca foi apoiado e nem recebeu incentivos ao escrever, isso teve algum impacto para você?  

Com certeza teve um impacto negativo grande, porque por muito tempo subestimei a escrita e a leitura. Sei que não sou tão novo nem tão velho, mas sinto que poderia ter começado minha jornada mais cedo. 

- Você acha que a falta de importância para a escrita afeta na vida dos jovens? 

Tanto a escrita quanto a leitura são coisas que acrescentam e muito na vida não só dos jovens como de qualquer pessoa, e é triste saber que muitos passam a vida toda sem descobrir isso por falta de incentivo ou de estrutura. 

- Qual a importância do apoio vindo do estado (como na questão do investimento) para jovens escritores da periferia?  

Já ouvi falar de leis de apoio para artistas no geral, mas com uma burocracia impenetrável. Caso fosse algo acessível seria uma ferramenta que iria turbinar a produção literária no país, pois a publicação por meio de editoras é caríssima. Acho importante citar uma iniciativa privada que vem mudando o cenário: a editora UICLAP, que produz o livro sob demanda e só cobra a porcentagem sobre a venda. 

- Quais são os seus escritores preferidos? 

Os que mais me causaram impacto... Nietzsche, Kafka, Platão e Xenofonte, estes dois últimos pelo registro da vida de Sócrates. Não posso deixar de citar Carolina Maria de Jesus, apesar de ainda não ter tido a oportunidade de ler suas obras, o que li sobre sua vida foi o suficiente para admira-la. É válido lembrar também que escritores podem ser incógnitas, por exemplo, Nietzsche questionava abertamente o cristianismo numa sociedade onde isso era inimaginável, claramente a frente de seu tempo nesse quesito, porém, era misógino. Já H.P Lovecraft, um gênio do horror cósmico, ao mesmo tempo era extremamente racista e xenofóbico, muitas vezes culpando indígenas, negros e estrangeiros pelos terrores presentes em seus contos.

- Quais são as suas obras preferidas? 

"A Metamorfose" de Franz Kafka; A trilogia "Jogos Vorazes" de Suzanne Collins; "Além do bem e do Mal" de Nietzsche; "O Corvo" e "Os Assassinatos da Rua Morgue" de Edgar Allan Poe; "O Diário de Anne Frank" de Anne Frank; "O Pequeno Príncipe" de Antoine de Saint-Exupéry. 

- Você tem algum escritor/escritora na qual se inspira? 

Tem algumas pessoas que me inspiram muito, não necessariamente escritores. Alguns deles são: o padre Júlio Lancellotti, militante dos direitos humanos (que deveria ser o papel de qualquer um que se diz cristão), Eduardo Taddeo vocalista do Facção Central, Guilherme Boulos, ativista do MST, e muitos outros!

Currículo do artista:

Nome: Douglas Henrique Pereira Sousa

Idade: 23 anos

Quem sou eu: Um cara tranquilo, nascido na Ceilândia (Brasília - DF). Formado em Gestão de Recursos Humanos e estudante de Filosofia pela UFG. 

Como prefere ser chamado: Douglas 

Redes sociais: Instagram: @douglashenriqq / Twitter: @douglassousaa

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Yasmin Rajab
Sobre Yasmin Rajab
Jornalista, brasiliense, apaixonada pelo universo cinematográfico e musical. Procurando sempre aprender mais e mais. Metade de mim é amor, e a outra metade também.
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